O que é economia criativa?

A noção é, e continua sendo, muito ampla, uma vez que abrange não apenas bens e serviços culturais, mas também brinquedos, jogos e todo o domínio de "Pesquisa e desenvolvimento" (P&D). Portanto, enquanto reconhecendo atividades e processos culturais como o núcleo de uma nova economia poderosa, também se preocupa com manifestações de criatividade em domínios que não seriam entendidos como "cultural". (UNESCO, 2013)

É um conceito utilizado para definir negócios movidos pelo capital intelectual e cultural, além da criatividade. Formado pelas chamadas indústrias criativas, envolve atividades que guardam relação com a criação, a produção e a distribuição de bens e serviços criativos. Segundo definição que apareceu na Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, envolve “criatividade, cultura, economia e tecnologia em um mundo contemporâneo dominado por imagens, sons, textos e símbolos”. Pode englobar tanto o artesanato que você vê na feira de domingo quanto o serviço por assinatura mais inovador dos últimos tempos. (Neil Patel)

É aquela baseada nas atividades, na criatividade, nas habilidades individuais e no talento. É a indústria que tem potencial para criar riqueza e empregos ao desenvolver propriedade intelectual. Isso inclui propaganda, multimídia, arquitetura, cinema, música, artes, videogames, softwares, livros, design, moda, televisão, rádio etc. […] é a indústria das ideias e do conhecimento. (GIARDELLI, 2012, p. 135)

A economia criativa surge, então, como uma nova maneira de encarar as fontes do desenvolvimento econômico, pondo em evidência uma problemática unificadora que vai além das leituras puramente setoriais e ressaltando o papel de um valor transversal: a aptidão para a criatividade. (GREFFE, 2015, p. 15)

MARCOS HISTÓRICOS:

1994 – Austrália – Nação criativa
Na publicação intitulada Creative Nation, o primeiro-ministro australiano Paul Keating falava sobre a importância da cultura e da arte para o desenvolvimento do país.

1996 – Reino Unido
Tony Blair inclui o tema da economia criativa em sua campanha para primeiro-ministro. Eleito, Blair criou uma força-tarefa para que o país pudesse crescer a partir de seu patrimônio intangível, de Beatles a Shakespeare. O influente departamento de Cultura, Mídia e Esportes do Reino Unido, faz a transição de indústria cultural para indústria criativa.

2001 – John Howkins
Esse pesquisador inglês é considerado o pai da economia criativa ao mapear esse conceito em seu livro "Economia Criativa - como ganhar dinheiro com ideias criativas". Na obra, ele fala sobre a importância da criatividade e da inovação na economia.

2004 – No Brasil
Durante a XI UNCTAD, a Conferência das Nações Unidas sobre Comercio e Desenvolvimento, em São Paulo, é estabelecido o Programa Economia Criativa.

2008 – em Accra (Ghana)
Durante a XII UNCTAD, o Painel de alto nível do secretário-geral, "reconheceu que o trabalho da UNCTAD na área da economia criativa e das indústrias criativas deve prosseguir e ser aprimorado. Foi considerado que a UNCTAD deve continuar a cumprir seus mandatos e ajudar os governos em questões relacionadas à dimensão do desenvolvimento da economia criativa, em linha com os três pilares do trabalho da UNCTAD: (a) construção de consenso, fornecendo uma plataforma para debates intergovernamentais; (b) análise orientada para as políticas, identificando as principais questões subjacentes à economia criativa e à dinâmica das indústrias criativas nos mercados mundiais; e (c) cooperação técnica, auxiliando os países em desenvolvimento a melhorar suas economias criativas para ganhos de comércio e desenvolvimento."

2011 – No Brasil
É criado, no âmbito do Ministério da Cultura, Secretaria da Economia Criativa. "A Secretaria da Economia Criativa (SEC) simboliza, a partir deste Plano, o desafio do Ministério da Cultura de liderar a formulação, implementação e monitoramento de políticas públicas para um novo desenvolvimento fundado na inclusão social, na sustentabilidade, na inovação e, especialmente, na diversidade cultural brasileira. Por outro lado, ao planejarmos, através da SEC, um “Brasil Criativo”, queremos acentuar o compromisso do Plano Nacional de Cultura com o Plano Brasil sem Miséria, através da inclusão produtiva, e com o Plano Brasil Maior, na busca da competitividade e da inovação dos empreendimentos criativos brasileiros." (PLANO DA SECRETARIA DA ECONOMIA CRIATIVA, 2011)

2012 – No Brasil
Outro importante marco aconteceu durante o evento Rio+20, em 2012. Na ocasião, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável incluiu a economia criativa como pilar do desenvolvimento sustentável.

2019 – 74ª. Assembleia geral da ONU
A partir de proposta da Indonésia, 2021 é declarado Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável.